Metallica, Egito, Bíblia, pragas e êxodo: o nascimento de um clássico!
Metallica, Egito, Bíblia, pragas e êxodo: o nascimento de um clássico!
Por Felipe Cepollini |
Minha primeira postagem no Grillocast — e tomara que não seja a única — vai direto para a Metallicapédia. É uma curiosidade deliciosa sobre os primórdios da banda e um detalhe que muita gente passa batido.
Enquanto nosso Grillo Falante foi direto ao ponto daquele que é considerado um dos maiores clássicos do thrash metal, eu, a Cebollinha Falante, vou retroceder alguns poucos anos.
Por que a gente ama heavy metal?
Porque não é só música. Fã de metal gosta de som — mas também gosta de história. De bastidores. De curiosidades. Nesses anos de estrada como ouvinte (e curioso profissional), já conversei com fã mais velho e com fã mais novo. Com os mais velhos, eu aprendo; com os mais novos, eu ensino… ou pelo menos tento.
A história a seguir é conhecida por boa parte dos fãs de Metallica e do thrash em geral. Digo “boa parte” porque os mais novos podem não conhecer — e isso não é vergonha nenhuma. Todo mundo aprende com alguém… e depois repassa.
Viram por que “Cebollinha Falante”?
Antes do Metallica… o alvoroço do Exodus
Antes de Kirk Hammett se juntar ao Metallica (em 1983), ele e Gary Holt já estavam construindo algo importante no underground da Bay Area: o Exodus. Em 1982 a banda lançou sua primeira demo (“1982 Demo”) e, pouco depois, veio a segunda demo, “Die By His Hand”, com duas faixas: a faixa-título e “Endor”. A demo fez barulho na cena — daquele tipo que se espalha no boca a boca, fita a fita.
Mas como o foco aqui não é o Exodus… voltemos ao Metallica.
Kill ’Em All, Ride the Lightning… e uma praga que já vinha rastejando
Pouco tempo depois, Kirk sai do Exodus e entra no Metallica. Logo vem o debut Kill ’Em All (1983), e no ano seguinte chega Ride the Lightning (1984) — que, na minha humilde e suspeita opinião, é o melhor álbum da banda.
E ali dentro mora “Creeping Death”, faixa tocada até hoje nos shows e cuja letra navega pela narrativa bíblica da Décima Praga: a morte dos primogênitos do Egito, descrita como um “assassino sorrateiro e rastejante”.
O detalhe que muita gente não sabe: a origem do refrão
O que muitos fãs mais novos não sabem é que essa “praga” em forma musical vinha rastejando desde antes… com o Exodus.
Sim — o fã mais atento já deve ter cantarolado mentalmente: “die by my hand, I creep across the land”… e feito a conexão com “Die By His Hand”.
Esse trecho clássico foi escrito por Kirk Hammett ainda no Exodus. Como “Die By His Hand” nunca foi regravada em estúdio de forma definitiva, ele acabou reaproveitando a ideia quando encontrou o encaixe perfeito no Metallica. E o que era demo underground virou um dos momentos mais celebrados e catárticos do repertório da banda.
Arrisco dizer: esse trecho sozinho já é quase tão clássico quanto a música inteira.
🤘 Sua vez:
Você já conhecia essa história? E qual é o seu momento favorito em “Creeping Death” ao vivo? Conta aí nos comentários!
